O Apelo do Randonnée

O Randonnée, muitas vezes conhecido simplesmente como “Audax”, trás em si uma série de definições, porém é mais do que isso: para muitos é um estilo de vida que se sobrepõe ao esporte. É a porta de entrada para muitos no mundo do ciclismo de longa distância. Mas o que faz dessa modalidade tão querida por quem a pratica? Com alguns anos de prática ininterrupta do Randonnée, simplifico essa paixão em alguns itens fundamentais:

  • Beleza: Moro numa cidade pequena, com poucos atrativos turísticos. Durante alguns eventos me permito tirar férias e viajar para lugares que raramente visitaria. Eu agora os observo sob um ponto de vista que não via antes de usar a bicicleta em viagens, descubro estradas maravilhosas que os organizadores daquele evento buscaram. A pedalada noturna é uma experiência sensorial diferenciada – subir uma montanha sob uma lua cheia ou um céu estrelado é incrivelmente belo. Muitos iniciam na modalidade como forma de aliviar a mesmice da sua rotina de trabalho diário procurando novos horizontes a explorar;
  • Desafio: Eu particularmente gosto muito de me desafiar. E o Randonnée me permite muito isso, não faltam oportunidades e desafios propostos nos calendários por todo o mundo. Porém com a segurança e o conhecimento propostos pelos organizadores certificados. Atingir uma meta de distancia e de tempo? Pedalar mais de 1000km em poucos dias? Pedalar uma rota com altimetria insana em busca do seu próximo limite pessoal? Concluir uma série de provas básicas porém desafiadoras: os BREVETS concluídos em um mesmo ano, na busca de um degrau com a homologação Super Randonneur*;
  • Amizade: Pedalar com os outros em direção a um objetivo compartilhado cria fortes amizades. Não é surpreendente para mim que os clubes de cicloturismo em Paris formaram uma das redes de apoio mais fortes durante a ocupação alemã da Segunda Guerra Mundial – quando você anda longas distâncias junto a um amigo, você forma fortes laços e também conhece bem as pessoas. Na verdade, conheci a maioria dos meus melhores amigos durante a pratica do Randonnée;

  • Disciplina: Poucos esportes proporcionam um ganho disciplinar maior que o ciclismo, quando tratamos especificamente do estilo Randonnée percebemos que essa disciplina abrange equilibradamente o corpo, a mente e o espírito. As dificuldades que se apresentam durante o desafio forjam pessoas extremamente focadas para a vida cotidiana, como em todo esporte, mas no caso do Randonnée essas mudanças se tornam bastante evidentes;

  • Autoconfiança: O perfil de desafio não competitivo mas igualmente duro, torna os randonneurs um tipo confiante de pessoa. Os medos, receios vão perdendo espaço para o “Eu Atleta” que surge dentro de cada um de nós. Luta contra obesidade, sedentarismo são histórias comuns entre aqueles que em pouco tempo estão acumulando medalhas e conquistas dentro dessa modalidade;

  • Filosofia: Posso viajar o mundo pedalando provas de Randonnée que irei encontrar pessoas com mesma afinidade de ideias e atitudes. As mesmas demonstrações de solidariedade que temos por um randonneur desconhecido parado na beira de uma estrada com problemas, você encontrará em qualquer lugar do mundo.

    O que faz o Randonnée tão atraente é que eu posso fazer todas essas coisas, saindo da minha porta, sem um enorme investimento de tempo ou dinheiro. Posso conhecer o mundo sob uma nova perspectiva enquanto crio novas amizades que poderão me acompanhar a vida toda, não importa o lugar do mundo.

    Vida longa ao Randonnée

    *Super Randonneur: Distinção dada do ciclista que pedalou uma série completa de Brevets Randonneurs Mondiaux (200km, 300km, 400km e 600km) em um mesmo ano.

     

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3 comentários em “O Apelo do Randonnée”

  1. Pessoal, boa tarde. Li o texto de vcs e realmente, é mto bacana. Comecei na modalidade em 2015, com 2 brevets de 200km. Em 2016 fechei duas series SR. Em 2017 fechei uma serie de 1000km e por falta de um brevet de 300km, não fecho outra serie SR. Sempre gostei de pedaladas longas. Na minha cidade (Divinopolis, MG), infelizmente não tenho parceiros de treinos. Geralmente minhas pedaladas longas são solitarias e aos domingos. Conheço toda a minha região (Centro Oeste de MG). Conheci os clubes de Mogi das Cruzes SP, Litoral SP, Audax Randonneurs São Paulo e o meu clube Inconfidentes Pedalantes. Sempre faço rotas diferentes para locais que ainda não fui. Eu me identifico muito com a modalidade, eu digo que não tem preço. Também fiz grandes amigos, longe da minha terra. Quero tentar a proxima edição do PBP 2019. #NãoPerderTreino.

    Daniel Maia

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  2. Interessante ler/ver algo do ponto de vista do ciclista que participa, obrigado, compartilhei mais uma vez no facebook para poder promover/informar sobre os alguns dos desafios aqui da Bahia.

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