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10 Fatos do Ciclismo de Longa Distância

Sem desvios, vamos direto ao ponto:

  1. Por mais que você se prepare, nunca estará “pronto”
    Mesmo que você tenha muita experiência e capacidade física, as variáveis são muitas: desde uma indigestão por conta de algo que você não está acostumado a comer até uma queda por desatenção ou sono. O melhor caminho que segui nesses anos sempre foi o de me preparar para o pior, esperando o melhor… então relaxe;
  2. Nem distância, nem altimetria o grande desafio é “vencer a natureza”
    Quem vê somente os números medidos no GPS não faz ideia do que é pedalar dias sob condições extremas de temperatura, vento ou chuva. O clima fará com que você use um arsenal de tecnologias as quais irão te fazer rodar com uma bicicleta pesada e nada aerodinâmica, esses dados obviamente não aparecem na sua conta do Strava;
  3. O sono é o seu pior inimigo, aprenda como “dormir bem”
    Falta de atenção no transito leva a acidentes, os quais podem causar a morte. O sono é, sem dúvidas, o perigo silencioso que ronda o ciclista. Aprenda desde sua rotina de treinos a dormir bem, cuide da sua recuperação. De nada adianta fazer “banco de horas” na véspera da prova para pedalar 30 horas sem dormir e cair da bicicleta perto da linha de chegada;
  4. Não pedale pelos outros, mas principalmente “não se importe com críticas”
    A motivação é ponto fundamental para o sucesso assim como o ciclismo de longa distância é um esporte para poucos. Então se você acha ruim passar horas sobre a bicicleta vou te contar uma verdade dura: há uma enorme variedade de outros esportes e atividades para você praticar. Seja feliz! Se você curte mesmo esse esporte, usará seu tempo para estar se aprimorando. As críticas construtivas estão a muitos quilômetros à frente… pense nisso!
  5. Autossuficiência é importante, mas considere “ser ajudado”
    Muito difundido entre os praticantes de Randonnée/Audax, ser autossuficiente é algo que todo ciclista deveria buscar. Porém se considerar 100% autossuficiente é errado e pode te privar de concluir alguns desafios. Tenha sempre em mão um plano B, como utilizar os recursos da prova que você está participando, ou mesmo pesquisar o que há na estrada para auxiliar a pedalar com mais segurança. Existem muitas maneiras de você “provar” que é capaz;
  6. Do hotel ao chão, do restaurante à fome, prepare-se para “altos e baixos”
    Mesmo que o evento que você planeja pedalar (ou rota que defina pedalar sozinho) seja bem estruturado e cheio de Pontos de Controle repletos de luxo, não há como prever tudo, especialmente o desgaste físico que você vai ter no trajeto. O sono e a fome/sede são implacáveis, prepare-se para dormir em qualquer lugar, comer e beber o que encontrar, se tiver sorte! Ainda há um ponto polêmico aí: a estrutura que você que vai ter versus a realidade de pedalar evento com muitos ciclistas;
  7. Trabalho duro é importante, mas “disciplina é fundamental”
    Qualquer um entende que a distância não será percorrida sem esforço físico, mas conheço muitas pessoas com músculos preparados que não conseguem transpor longas distâncias. O corpo humano sofre um desgaste profundo, podendo te levar a desistir de diversas formas. A disciplina aliada ao autoconhecimento são fundamentais para ajudar a prevenir e contornar problemas, que invariavelmente vão aparecer;
  8. Não se compare, se “inspire”
    Acostume-se com a ideia que “ser o melhor” é algo bem relativo, além de fugaz. Sempre haverá alguém melhor que você em algum aspecto então ao invés de procurar desculpas, encontre motivos para seguir evoluindo. Ter metas é importante mas sempre mantenha a motivação com pequenas coisas… um pedal sem compromisso faz bem ao espírito e ajuda a relembrar que nem toda grandeza é medida em números;
  9. É um esporte encantador, mas é um “poço sem fundo”
    Esteja certo de viver grandes aventuras e ter muitas histórias interessantes para contar. É comum ouvir que os lugares que você pedalou nunca irá esquecer. Mas não se engane: quanto maior a paixão maior será o envolvimento de tempo e dinheiro. Viagens, alimentação, manutenção da bicicleta, rotinas longas de treinamento podem fazer com que tenha problemas em seus relacionamentos e na sua conta bancária. O caminho não precisa ser uma linha reta, use o bom senso;
  10. Meu corpo é o meu templo, portanto leve a sua “saúde à sério”
    Lesões no esporte são quase inevitáveis, sem falar em alguns pequenos acidentes. Uma rotina de check-ups rotineiros são básicos para que você construa uma relação positiva com qualquer esporte. Seu corpo pode ser um aliado ou um inimigo silencioso, seja previdente e vá ao médico!

Estejam certos que grandes feitos tem seu inicio em pequenas e sinceras atitudes, não importa o esporte que você escolheu praticar, faça para você mesmo com dedicação e tudo encontrará o seu caminho certo.

Grande abraço a todos!

 

 

Inspirado por Angie Across America
Foto: Cyclingtips.com

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Um tributo ao prazer de pedalar:

Muitos dizem que a bicicleta é a maquina mais perfeita criada pelo homem. Eu diria que sua inspiração é divina. Ela reflete o homem e seu tempo, uma vez que evolui junto com seu criador. É uma ferramenta completa, simples e multifuncional. Imagine um mecanismo que serve para transportes, exercícios, integração com o meio ambiente… fazer amigos! Tudo junto, além de te dar um prazer único.
É nesse momento que tudo faz sentido, a bike é um projetor da alma humana. Considerando que tudo que fazemos nela ganha uma maior amplitude, percebemos o quanto temos potencial para crescer, como parte da natureza. Enquanto pedalamos o horizonte muda no tempo certo, nem tão rápido quanto de carro, nem tão lento quanto caminhando.
Pedalar é viajar usando o coração como motor. É usar o sentimento como guia, também é sentir-se parte da engrenagem.
Embora pedalar seja em muitos casos um ato solitário, quem o faz não se sente dessa maneira.
Eis um dos mistérios mais incríveis, seria como se a bicicleta fosse um elemento vivo, um bom conselheiro, um amigo fiel. Aquele que inspira a ir além, a se superar sempre, a te ensinar que humildade rima com felicidade.
O que dizer de um veículo que ao mesmo tempo que funciona faz seu motor ficar mais potente e econômico? Que nos torna minimalistas, descobrindo que para ser feliz e sentir prazer não precisamos de muita coisa.
Essa simplicidade aparente que envolve o ato de pedalar faz da bicicleta querida por todos. Nela não existem diferenças de classe, credo, cultura… todos são ciclistas. Poucas alegrias no mundo humano se comparam à uma boa pedalada com quem a gente gosta.
Para quem nunca andou de bicicleta eu descrevo a experiência como libertadora, é como reaprender a caminhar… é a sensação consciente de se atirar rumo ao abismo e voar. É sentir-se jovem de espírito e ter a certeza que a humanidade vale à pena.
Pedalar por pedalar, eis o segredo.

Por Cesar Dosso

Aos Atletas da Vida Real

A parte boa da vida de ciclista e Randonneur é poder dedicar algum tempo para observar e refletir sobre a vida. Nesse aspecto faço da bicicleta o meu altar, meu templo,meu santuário.
Uma vez que em treinos nos dedicamos ao corpo, chegamos à longa distância prontos para enfrentarmos as questões mais variadas criadas por nossas mentes. Estas questões são pessoais, diversas e são absorvidas de diferentes formas por cada indivíduo. Algumas dizem respeito à experiências vividas, porém muitas são devido ao excesso de expectativas relativas ao futuro. Esse momento ocorre geralmente quando o cansaço mental e físico atingem um nível mais elevado, no meu caso, porém cada indivíduo é único. E foi num momento desses que despertei para a Vida de Randonneur, descobrindo que nosso Eu verdadeiro vem da Alma.
O corpo é regido pela mente, eficiência dele não depende somente da força muscular adquirida em treinos, mas também do nível de relaxamento mental. As vezes em casos de provas longas, onde o sono é parcialmente controlado, vemos uma perda significativa de desempenho. A mesma performance volta em sua grande maioria após um descanso, muito mais pelo desgaste mental que muscular. Porém em outros casos percebemos que estamos prestes à desabar, somos acometidos a uma tortura psicológica totalmente infundada. Num desafio pedalamos uma quantidade enorme de quilômetros, enquanto que em outro dia desabamos bem antes, só que em direção a um caminho mais longo. Caso que ocorre muito em provas de 400 e 600km que acompanhei. A grande maioria desiste antes de bater a mesma quilometragem do desafio anterior. Baseado nesse dado reforço a minha crença. Quem rege o corpo é a mente, mas quem o todo é a nossa ALMA.
Quando encarei os medos, os fracassos, as ansiedades e as outras armadilhas criadas pela mente com maturidade suficiente, pude ver um caminho totalmente novo se abrindo à minha frente. Olhei o céu e as estrelas, vi o sol nascer enquanto escalava uma longa subida, corri, sorri, vivi e tirei fotos! Chorei de alegria, conversei longamente com meus amigos e cheguei ao final do desafio com vontade de continuar.
Ao desabafar com alguns amigos falei que estava em “alto nível de performance”, me sinto assim, pois estive aonde quis estar, no momento que escolhi. Vejo que esse é o sentido de ser forte, em sua mais ampla definição, poder fazer aquilo que você decidiu sem achar que é um sacrifício. Assim sendo, repito o que eu já havia dito: “O maior upgrade de performance é manter-se feliz, assim qualquer bike será boa de pedalar (carregada ou não)”. Então escrevi esse pequeno texto desejando que cada um encontre a força que tem na sua Alma.
Eu me sinto feliz como randonneur… e você? O que faz pra ser feliz?
Um grande e fraterno abraço a todos!

#vidadeciclista

Verdades óbvias e muitas vezes não ditas

No momento em que um ciclo se termina para o inicio de outro, seja no esporte ou na vida cotidiana, penso sempre nos meus erros e paro para fazer uma reciclagem. Preciso rever se estou na rota, fazer pequenos ajustes na trajetória e observar as variações da natureza. Para isso, muitas vezes, costumo aproveitar o silencio para ouvir o eco dos meus erros.
Cada pessoa tem um jeito de lidar com a sua vida, seus problemas e planos pro futuro. Não estou querendo escrever uma receita de sucesso, mas gostaria de compartilhar algumas aprendizados que tive nesses primeiros anos de vida ciclística.
O ciclismo é um esporte para todos: fortes e fracos, ricos e pobres, cultos e broncos. Querer impor aos outros um padrão de perfeição é tirar do esporte o que ele tem de melhor, que é a integração. Da mesma forma que colocar metas é algo interessante pra uns, porém torna-se ridículo para aqueles que o ato de pedalar é um lazer. Agora, quem tornou o ciclismo um esporte competitivo, seja em corridas ou mesmo no randonneur (colocando metas de distancia e provas cada vez mais insanas no currículo de “concluídas”) tenho algumas coisas para te contar…
Se você tem talento, mas não tem disciplina… te afirmo: o único talento que realmente tens é o de ser um futuro frustrado. Agora, você pode ter talento, disciplina mas se deixar sucumbir pela vaidade, prepare-se para um futuro semelhante. No momento que ser “o melhor” passa a ser um objetivo maior e mais importante do que ser “melhor”, te digo que sua essência se perdeu e o fracasso é questão de tempo.
Para nos mantermos num caminho traçado, colocamo-nos muitas vezes sob as necessidades de mudanças no nosso intimo… queremos alcançar objetivos que num momento atual não somos capazes de conquistar. “Já que eu não consigo, vou me tornar em alguém que irá conseguir”. Até aí tudo bem, mas o problema reside em vários aspectos ao redor disso: tempo, disposição, família, saúde, dinheiro, etc. O sacrifício pode ser maior para uns que outros pela questão do imediatismo ou o desapego… é a “zona de conforto” agindo pra te desviar a trajetória. Segue outra verdade: se você está a fim de ser um atleta sem fazer qualquer tipo de concessão então prepare-se perder seu tempo. Terás varias pedaladas perdidas, quilômetros jogados no lixo… poderás enganar alguns por um certo tempo com essa “vida de atleta”, mas dentro de ti saberás que a verdadeira mudança ainda não aconteceu. Esse “basta” ou esse “levanta daí” não é um chamado divino, mais sim a gota d’água para as desculpas furadas de que nada pode ser feito, vem de dentro de nós, em contraponto à tudo que eu e seus amigos possamos te dizer. Erros acontecerão nessa mudança, uns serão culpa sua, outros não. O bacana é não ficar neurótico quando isso acontece, querendo achar um culpado para uma peça que estragou ou um buraco que você acertou e te tirou daquela prova em que estava decidido a completar bem. Os neuróticos e os demasiadamente pilhados sofrem de auto-sabotagem que é um ingrediente e tanto para a frustração e o ressentimento. As vezes precisamos mandar algumas coisas pro espaço (sideral), pois são dinamite pura dentro de nossos corações. Mas precisamos ser cautelosos e gentis nesse processo para não magoar outras pessoas que estão próximas à nós, sob pena de destruirmos sentimentos tão legais que um dia nos uniram ao redor bike. Algumas vezes, por conta de ideias mesquinhas, que nada mais são reflexo de experiencias passadas ruins, deixamo-nos contaminar e prejudicamos parcerias que levamos anos cultivando.
Esse texto pode ser um tanto pesado para alguns, mas a ideia que deixo para reflexão dos amigos é que sejam fiéis as suas escolhas, cresçam e aprendam no seu processo de auto-conhecimento, mas sempre valorizem seus amigos mais sinceros. E, se algum dia precisarem rever e mudar alguma escolha anterior por um motivo qualquer, façam! Mas que seja baseado no que é certo e justo para vocês, livre de ideias ou sentimentos negativos. A base para o sucesso é tão solida quanto a convicção que tens em tuas escolhas.

Desejo excelentes pedaladas ou treinos a todos vocês…
#vidadeciclista

Relação Peso X Desempenho

Inicialmente quero dizer que o foco desse texto não é a performance. Pelo menos não aquela que se mede inicialmente com números e gráficos, porque o peso ao qual me refiro não é mensurável numa balança comum. Falo sobre aquele que carregamos no nosso espírito. Considero que cada um de nós tem uma ideia formada sobre o que é felicidade, sucesso e satisfação, todas diferentes uma das outras. A combinação dessas respostas é a identidade da nossa alma.
Todos queremos essa plenitude e estabelecemos um plano de ação para alcançá-lo. Uma vez que são diferentes, tanto o objetivo como o plano, cada individuo segue um rumo. Aí começam a confusão e os problemas. Serei um tanto radical em falar que pra alguém a felicidade é viajar o mundo de bicicleta, para outro pode ser levantar da cadeira de rodas voltar a caminhar. Alguém almeja ter um corpo perfeito, pra outro o sonho é ter braços pra acariciar o seu filho.
Atribuímos, nessa escolha, os obstáculos que irão nos assombrar nas decepções da vida. Cada falha ao tentar sobrepor esses obstáculos é um peso, um fardo, que carregamos conosco até a vitória absoluta do nosso plano de felicidade.
A busca por essa vitória gera, por sua vez, inúmeras expectativas. Nos focamos em vencer os impasses que nós mesmos criamos para atingir nosso objetivo, único e exclusivo criado por nossa mente. Consideramos que, sendo assim, há somente uma maneira de ser feliz. Nos privamos do alegria de ser surpreendidos, pois nosso inconsciente entra em modo de defesa. “Precisamos defender nosso modo de vida”, usamos tanta energia nesse processo que quando estamos a ponto de alcançar essa “pseudo-plenitude” estamos doentes na nossa alma.
Mas existem casos em que a pessoa alcança o que quer com uma certa facilidade… por acaso, destino, seja como for… e o que vem depois? O vazio… porque o cérebro marcou, planejou e concretizou. “Vamos viver a felicidade”, até que enche o saco…
Qual a saída para esse dilema? Talvez seja uma boa forma de chegar a uma plenitude real.
Algumas pessoas tentam viver sem metas, não querem nada. Mas tudo isso seria trazer o vazio do futuro para o presente, num estalar de dedos. E o medo de desapegar? Talvez esteja aí uma receita, não carregar peso consigo e andar mais leve, poder olhar para todos os lados sem procurar nada em específico. É ir, voltar e parar sem culpa. A alegria da vida também está sob nós e na renovação de tudo a cada horizonte. E pode ter certeza, quanto mais leve tu estiver mais rápido tu chega numa nova paisagem. Se abrires a tua mente para o mundo perceberá que qualquer caminho leva até lá. A plenitude está em admirar os mais variados horizontes e poder compartilhar com quem quiser, sem receios ou expectativas. Ria muito das suas metas atuais. Tenha coragem de vencer o desconhecido, ou nem tente, saiam para tomar um café e fiquem amigos. Seja livre.
#vidadeciclista

Flèche Velócio: Histórias e Reflexões

Tradicionalmente na sexta-feira santa, todos os anos, é realizada uma prova magnífica batizada de “Flèche Velócio”, onde pequenos grupos de ciclistas se organizam e pedalam por 24 horas de um ponto a outro, com o intuito de chegarem juntos a um destino pré-determinado (em geral sedes de organizadores de brevets). Porém muito além de uma simples pedalada, esse desafio tem uma simbologia muito bacana envolvida, primeiramente pela sua história, cheia de nuances interessantíssimas…
Este evento foi criado por Pierre Molinier que foi presidente do Audax Club Parisien. Na época, ele adotou a ideia de Paul de Vivie (“Velócio”) que na Páscoa pedalava para Pernes Les Fontaines, sua cidade natal, por conta própria ou com alguns amigos. Ele amava esta área, que é linda nessa época do ano: a natureza com todos os seus aromas encantadores. A fim de lembrar e homenagear este grande ciclo-turista, criou-se um evento de Páscoa em seu calendário. O primeiro Fleche aconteceu em 1947, o destino foi a catedral de Notre Dame de Paris. Equipes de cinco ciclistas eram obrigados a chegar o mais próximo possível do destino, cobrindo a distância em 24 horas. Em seguida, no domingo, todos se encontraram e ainda hoje é realmente agradável para ver os amigos de diferentes lugares se reencontrando, sejam eles participantes Flèche ou simplesmente aqueles que tem um passeio de lazer. Para ajudar os pilotos as regras foram alteradas: elas podem desencadear de qualquer lugar, mas a data permaneceu inalterada.
Quando o prêmio Randonneur 5000 foi introduzido (onde o Flèche é pré-requisito), muitos ciclistas estrangeiros tentaram obtê-lo. Eles tinham todos os outros passeios de qualificação, mas não conseguiam chegar a França para participar do evento. Por isso, na ACP decidiu que poderiam ser executados em outro lugar desde que os regulamentos Flèche Velócio fossem respeitados.
Dada a história dessa grande confraternização, penso que é um grande passo para todo randonneur participar do planejamento e execução de um pedal de auto-suficiência. De poder observar os problemas pelo lado que quem organiza e se responsabiliza pelos brevets que muitas vezes criticamos. Parece fácil, mas tenho certeza que não é.
Vejo o Flèche como um grande passo rumo à maturidade de qualquer ciclista e colocar ele como requisito a uma distinção como o “Randonneur 5000” foi uma sábia decisão.
Lançar-se num desafio por sua conta e risco é um ato de coragem num país como o nosso. Porém, a possibilidade de fazer uma prova personalizada e estar entre bons amigos supera em muito qualquer dificuldade inicial, o que fica evidente pelas brincadeiras que antecedem a largada. São histórias e registros que ficam na memória de quem ama o ciclismo, a vida e suas amizades. Um randonneur nunca esquece de nenhum Flèche que tenha participado, pois é uma pedalada que marca. Basta perguntar, o relato está sempre na ponta da língua, rico em detalhes e sempre contado com muita alegria.
Desejo que todos ciclistas, mantenham vivas a experiência vivida muitas vezes por Velócio, de sair numa jornada com seus amigos para reencontrar muitos outros, que as vezes por falta de um pequeno passo deixamos de reencontrar.
Desejo a todos os “Flecheiros” uma excelente jornada…
E para aqueles que ainda não se sentem aptos à isso, que possam fazer um pedal em nome da “amizade”, especialmente na época da Páscoa, que tem uma energia tão especial para renascer grandes sentimentos.

Grande abraço!
#vidadeciclista

Fonte Histórica : “audax-japan.org

O Prêmio Maior:

Nenhuma medalha reluz tanto quanto assistir ao sol nascer depois de uma longa noite pedalando. Não há nada que substitua a energia renovadora da natureza. Esse é um dos principais ensinamentos que o ciclismo me trouxe: o amor à natureza.
Esse sim é o maior premio: pedalar à noite e poder apreciar um céu limpo e estrelado, emoldurando uma lua brilhante e majestosa, que nos faz sentir como criaturas divinas. E, depois de tudo isso, ver a vida renovar com um novo dia.
Desejo para todos os meus amigos que sempre tenham boa saúde e disposição para contemplar a força da vida, como se vê nesse nascer do sol que apreciei nesta pedalada pelo Vale Verde.

#vidadeciclista